quinta-feira, 16 de dezembro de 1999

A PARANORMALIDADE COMPROVADA EM LABORATÓRIO*

Descrente da religião e sem confiar no tratamento médico-psicológico, com a cumplicidade velada da mãe e vistas grossas do pai, Selhama continuou acreditar como reais aqueles mesmos estados fenomênicos de antes, e dos outros agora pretendidos, para assim viver sanidade psíquica conforme sua verdade; jamais mentiria para ela mesma, mas podia muito bem ocultar certas verdades a terceiros e próximos e, nesses propósitos, haveria de viver sua realidade que se encontrava, exata e perigosamente – bem o sabia – no limiar entre o físico e o espiritual (mental).
Aprendera, num espaço de quatro anos (1982 a 1986) concentrar forças mentais num determinado ponto de um objeto, em geral de pequeno porte e metálico, para atingir o limite desejado em faze-lo mover, numa operação tão extenuante que não raramente a levava, inicialmente, à irritação e fortes dores de cabeça.
Conseguira antes movimentações esporádicas de objetos, em sensações de raiva, medo ou de excitação (prazer), considerandos reais, embora apenas o caso do copinho falante espatifar-se, e alguns dos deslocamentos provocados por Osmar, entendendo demais ocorrências do gênero, duas ou três vezes no máximo, como possíveis imaginações.
Mesmo quando conseguiu dominar com eficiência e controle da 'técnica para telecinesia e assemelhados', acreditou-a primeiro como efeitos colaterais alucinatórios da auto-hipnose; todavia feitos conseguidos em laboratório da Faculdade viriam demonstrar-lhe exatamente o contrário ou, então, que todos aqueles que testemunharam as suas realizações, também estariam contaminados pela mesma espécie de alucinação. 
Mas o que dizer dos registros em filmes das suas fenomenalidades? De pronto descartadas as possibilidades de haver influenciado mentalmente as fitas gravadas, embora soubesse de tal contingência, assim como de certas fraudes sutis ou involuntárias, nas quais jamais fora flagrada nem ao menos em tentativas.
Sabia como fazer o fenômeno telecinético – poucas vezes lhe falharam tentativas – mas não a maneira de atuação de sua força ou energia psíquica; algumas vezes os objetos entortavam em vez de girar conforme pretendido inicial, parecendo com isso sofrer alguma espécie de desmolecularização; em outras ocasiões quebravam-se, e em algumas ocorrências não pode determinar controle ou direção desejada; de qualquer maneira sentia empurrar ou girar invisivelmente o objeto, para onde queria, como se tal ato fosse com suas próprias mãos, não sabendo exatamente como ocorria  aquele fenômeno.
Ao ver determinado objeto numa sala qualquer, após fixação, conseguia move-lo quase sempre e bem determinado; encontrando-se em outro local, após fixa-lo antes, obtinha os mesmos resultados porém de modo rápido e mais agressivo, com controles apenas parciais; tinha os mesmos êxitos se visse  foto polaroide do objeto, desde que soubesse a sala onde tal se encontrava não importando a distância desde que não ultrapassasse os oitenta metros, entretanto os resultados eram menos positivos em proporção do tempo que o objeto fora fotografado, quase completamente nulos após trinta e sete minutos, situação mais ou menos contraditória, pois que se ela visse a foto de uma pessoa, antiga ou não, era capaz de dizer se o fotografado estava vivo ou falecido e, se doente, qual a moléstia e se causadora do óbito, quando o caso.
Outra característica não menos interessante seria o dito fenômeno de levitar objetos, como a anular lei da gravidade; experimentou levitar cobaia viva mas esta, sem qualquer causa aparente, morreu durante a concentração. Ainda que seus estudiosos apontassem ambos os fenômenos como telecinéticos, a própria Selhama classificava-os projeciológicos, ou seja, ela mentalmente praticava as ações, o que parece mais correto.
Outros fenômenos acompanhavam-na e um dos mais interessantes seria justamente aquele denominado psicocinese que, igualmente à telecinese, também seria resultante da telergia altamente ativa em Selhama.
Com bastante facilidade e rapidez eliminava dores de cabeça de terceiros, mas nunca foi capaz de curar a sua; estancava pequenas hemorragias ou sangramentos provocados – corte no dedo de um experimentador ou em cobaias intencionalmente feridas – com cicatrização quase imediata e sem marcas; parece que na sua capacidade controlada de emitir nêutrons, através das ondas cerebrais e com intensidade em determinado ponto, estivesse a razão de seus êxitos surpreendentes.              
Suas ações provocadas ou simplesmente desejadas, promoviam alterações de temperatura, para quente ou frio, e umidade no meio ambiente, detectadas por aparelhos; voluntários se referiam exatamente a essas sensações de calor ou frio, com alterações de temperatura corpórea; em algumas situações, influenciava a rede de energia elétrica: luzes enfraqueciam ou queimavam e a filmadora emperrava, às vezes momentaneamente, porém, com facilidade acendia lâmpadas, mesmo as queimadas ou desconectadas da rede elétrica, desde que não soubesse tais situações.
Propôs-se à experiência de fabricar um fantasma – leu algumas obras a respeito; segundo os registros, não logrou êxito satisfatório em laboratório, talvez nem parcial, havendo, no entanto, gravações que mostram formas de nuvens (material ectoplasmático?) móveis, sem definições de formas. 
Uma anotação dizia que Selhama, segundo o especialista Moacir Lichtenberg, teria conseguido materialização de um humano, contudo sem as comprovações necessárias, havendo fortes indicativos que pelo menos desde os quatorze anos de idade a jovem vinha buscando tal possibilidade, tendo primeira informação a respeito desse fenômeno pelo próprio Dr. Moacir, e das muitas fotos de pretensos fantasmas materializados, algumas em livros, como as celebres de Kate King e das personagens produzidas por Carmine Mirabelli, entre outras.
Com materiais adequados, olhando determinado desenho ou quadro por alguns segundos, a jovem reproduzia-o inteiro, com bastante qualidade e incrível rapidez, inclusive assinatura de algum pretenso autor, mas não obteve resultados apenas evocando algum artista, morto ou vivo, sem olhar para a matriz.
Parecia ter memória fotográfica e não alguma influência exterior, mental ou espiritual, pois precisa ver antes aquilo que viria reproduzir. Lendo algum livro ou notícia, mesmo que em dinâmica, conseguia reter assuntos e detalhes com citações corretas de páginas e detalhes, com capacidade de citações satisfatórias de capítulos ou a obra completa, mas não obtinha o resultado apenas tocando livro, da mesma maneira que era incapaz de ler escritos colocados num envelope lacrado, exceto se a pessoa que o havia redigido se fizesse presente no recinto. Se dois ou mais envelopes escritos. por pessoas diferentes. mesmo que presentes no local, os feitos eram nulos, ainda que do ponto de vista individualizado, situação diferente de quando praticava tal tipo de leitura no Centro Espírita, quando então, com simples toque de mãos, sabia o conteúdo dos pedidos, envelopados ou em papel dobrado, postos no cesto.
Teve sempre bons resultados com as Cartas Zener, desde que de maneira simultânea: a pessoa via a carta e de imediato ela ditava qual o desenho, nada a declarar ou adivinhar se a pessoa apenas tirasse alguma carta e não a visse, mesmo sendo ela a tirar a carta, quase não obtinha resultados positivos.
Experimentou em vão antever resultados de Loterias. Por sugestão de um experimentador fez, uma única vez registrado, o uso de projeciologia para o futuro e ver, em determinado jornal, resultados de jogos de futebol listado na loteria esportiva, e a equipe fez jogo de valor mínimo e ganhou pequena quantia, quando, coincidentemente operou a lógica com muitos acertadores; e,  por motivos éticos e propósitos, não repetiram a experiência não sabendo, todavia, se Selhama particularmente a tenha realizado, tudo a indicar que não, e se a fez provavelmente não teve resultados conhecidos.
Selhama conclusivamente era paranormal inata e também com capacidades adquiridas que podiam ser desenvolvidas.
        
*Dados não oficiais, obtidos de amigos da sensitiva e de um experimentador, dissidente do grupo.



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