quinta-feira, 16 de dezembro de 1999

UMA REUNIÃO INESPERADA*

Mais um ano e Selhama terminaria o curso em junho, casamento marcado para setembro. Em seu consultório Mateus pensava exatamente nisso, quando a secretária comunicou-o da ligação de um tal Andrada Peres, da Faculdade de Psicologia onde sua noiva ainda estudava – já conhecia-o por nome, era Diretor da Faculdade e o Responsável pela equipe que trabalhara com Selhama, por mais de três anos, em experimentos de paranormalidades.
Determinou completar a ligação – que diabos desejaria o homem? – resmungou antes de iniciar conversação; o Professor Doutor Everaldo Simões de Andrada Peres e membros da equipe de experimentos da paranormalidade de Selhama, desejavam conversa reservada com Mateus, de preferência em próprios da Escola e o assunto óbvio seria a própria Selhama. Comprometera-se comparecer combinando dia e hora.
Desligou o telefone pensativo: – “Ensejavam recomeçar os experimentos? – acreditava que não, pois não haviam mais motivos para aquilo, e ele não concordaria com recomeço, ainda que necessário recorrer à sua autoridade de médico. Professor Andrada pedira segredos, que nada fosse comentado com Selhama, e que seria providenciado para a data do encontro, saída dela e sua turma da faculdade, para trabalhos junto a uma entidade beneficente em outra cidade.
O assunto não lhe fora adiantado, mas entendeu gravidade ou algo de muita importância a ser revelado, apenas não imaginando o que; com dificuldades manteve segredos, se sentindo quase um traidor pois que tudo participava e era participado entre ele e a noiva naquilo que lhes dizia respeito.
Chegou ansioso no dia e hora aprazados, prontamente recebido e encaminhado por uma jovem secretária à sala de reuniões, onde aguardavam-no Andrada Peres e os demais; Mateus jamais vira qualquer deles mas era capaz de saber o nome de cada um, tanto que já ouvira a noiva referir-se a eles; ainda assim apresentações de praxe antes de acomodar-se num local indicado.
A reunião iniciara-se 8,30 e durante horas, avançando horário de almoço, Mateus ouviu cada um dos presentes falar a respeito de Selhama e suas capacidades paranormais, viu feitos da jovem registrados em fita de vídeo cassete com os devidos esclarecimentos, surpreendendo-se com aquilo que a jovem era capaz de realizar, em sua opinião verdadeira bomba humana de energia psíquica, que poderia explodir em algum momento.
- Jamais imaginei que a paranormalidade fosse assim, feitos que somente pensei existir em filmes de cinema.
Não interrompido em suas observações, Mateus aproveitou a deixa:
- Um dia pensei em procurar pelos senhores, a respeito de Selhama – procurou sentir o interesse de sua improvisada assistência – também tenho documentos impressionantes e os tenho aqui comigo e à disposição dos senhores – bateu em sua maleta. 
- Soubemos disso – voz diferenciada de um dos professores doutores daquela faculdade, médico psiquiatra de formação – soubemos disso agora recentemente, se antes, tenha certeza caro Mateus, procuraríamos por você; nisto reside objetivo desta reunião, por acreditarmos que o amigo está a merecer esclarecimentos e que deve saber onde e como exatamente está se metendo.
A voz era de forte tonalidade, impositiva, porém leal; Mateus fizera a si mesmo essas observações, nos instantes a pensar que Selhama revelara à equipe, dos exames solicitados e resultados obtidos, e com isso o caso Osmar já não seria mais segredo apenas entre ele e ela – “também de qualquer maneira isso deixaria de ser segredo hoje” – murmurou em pensamentos antes de falar:
- Mas isso acabou doutor – vacilante e aflito, a temer uma resposta em contrário, em forma de um míssil destruidor de suas ilusões.
- O colega se engana, nada cessou senão os experimentos – cortou-lhe o psiquiatra.
E houve prosseguimento entre Mateus e aquele professor médico.
- Ela não se reporta mais aos fatos! Está certo que ainda não me cabe na cabeça uma pessoa em sã consciência relacionar-se com um, digamos, um morto, e deste ato resultar elementos, não sei se...
- Líquido seminal e esperma, você quer dizer.
- Sim, é isso.
- Pois bem Mateus, vamos ao fatos.

*Da agenda de Mateus a data da reunião; e da Secretária da faculdade quanto a presença de Mateus para reunião com os Diretores da casa.


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