quinta-feira, 16 de dezembro de 1999

QUANDO DA CHEGADA DO MÉDICO MATEUS*

Quando o médico Mateus chegou à cidade para estabelecer-se como clínico geral, em 1988, Selhama vivia particularmente estranha e inusitada aventura, lutando por todos os meios e forças para trazer Osmar à vida terrena, num sistema que o núcleo espírita denomina de espíritos materializados e ela, segundo registros em diário e fotos (polaroide), guardados a sete chaves, conseguira êxitos em mante-lo visível e com aparência física normal, por um período de minutos na materialidade.
As primeiras imagens do pressuposto Osmar, como espírito materializado, são fumaças ou nuvens tênues no ambiente, a meia altura; depois outros registros mostraram contornos de possível figura humana que, posteriormente, viriam ganhar aparências tímidas e trêmulas de um jovem, para finalmente vir na forma de um belo e forte rapaz. São diversas as fotos que mostram um Osmar assim, quase com os mesmos traços, se comparadas fotos atuais com as de Osmar menino e ainda vivo. As roupas de Osmar são sempre as mesmas, um traje comum para jovens da idade.
Diferente da maioria das ocorrências espíritas do gênero, Selhama não entrava em estado de inconsciência e nem parecia esgotar-se, física e mentalmente, cabendo dúvida se o Osmar seria produto ectoplasmático, ou que o mesmo estaria a materializar-se por outros meios desconhecidos e independentes dela.
Em trechos do diário, Selhama se refere às lágrimas dele, batimentos cardíacos, conversas entre os dois, abraços e beijos, e que ele teria vontades e personalidade próprias.
Uma foto, até que bastante nítida, batida contra um grande espelho numa das paredes do quarto de Selhama, mostra os dois sentados e abraçados, ela com a máquina fotográfica ao lado, apontada em direção ao alvo refletor.
Fotos e descrições de trazer Osmar definitivamente à materialidade, cessam de repente, e os relatos passam apenas para confissões íntimas e surpreendentes: Selhama e Osmar trocam carícias eróticas, cada vez mais ousadas e, uma noite, praticam sexo e ela sangra – é sua primeira vez, sente penetração, gozo e ejaculação dele que depois escorre pelas pernas dela, misturadas a filetes de sangue.
Há referências que Selhama, antes deste primeiro contato sexual, se prevenia, com  uso de anticoncepcional contra possível gravidez e esperava o ato a qualquer momento.
Se loucuras ou meras ilusões de algo imensamente desejado, o fato é que quando da chegada de Mateus, Selhama já tinha o primo e namorado Osmar como parte de sua vida, porém já na condição de preocupações e questionamentos quanto à própria sanidade mental: seria Osmar efetivamente realidade material, ainda que transitória para encontros, ou tudo aquilo meras fantasias dela?
Onde se situariam as evidências de um relacionamento sexual?
Era exatamente nisto que Selhama precisava de um médico, que a auxiliasse definitivamente comprovar existência daquilo que julgava viver.

*Exclusivamente do Diário Selhama com analogias do autor desde quando a presença de Mateus no lugar.


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